A urna encerra uma etapa. As causas que nos movem permanecem.
Uma eleição termina, mas os encontros, as conversas e os aprendizados permanecem.
Esta foi a minha primeira eleição. Foram meses de caminhada por bairros, comunidades e diferentes cidades de Mato Grosso, conhecendo histórias, ouvindo necessidades e apresentando as ideias que fazem parte da minha trajetória.
Ao final, foram 10.440 votos.
Cada um deles representa uma pessoa que ouviu minhas propostas e decidiu confiar no meu nome. Recebo esse resultado com respeito, gratidão e orgulho da caminhada que fizemos.
É claro que entrei nessa disputa querendo vencer. Mas também saio dela com a certeza de que participar da vida pública nos transforma, independentemente do resultado das urnas.
Minha trajetória começou longe dos espaços de poder. Sou filha de carpinteiro, cresci no sítio e cheguei a Sinop aos 16 anos para estudar Arquitetura e Urbanismo. Foi aqui que construí minha vida profissional e tive a oportunidade de trabalhar diretamente com famílias, primeiro na minha profissão e depois na gestão pública.
Foi nesse caminho que a habitação se tornou uma das principais bandeiras da minha vida. Aprendi que uma política pública só faz sentido quando consegue chegar à vida real. Uma casa representa segurança. A regularização de um imóvel traz tranquilidade. Uma cidade bem planejada interfere diretamente no acesso à escola, à saúde, ao transporte e às oportunidades.
É por isso que continuo acreditando na importância de discutir habitação, planejamento urbano, acessibilidade, inclusão, proteção das mulheres e políticas públicas voltadas às famílias de Mato Grosso. Essas pautas não pertencem a uma eleição.
E há uma conquista desta eleição que merece ser celebrada por todas nós.
A partir de 2027, Mato Grosso terá novamente duas mulheres eleitas diretamente para a Assembleia Legislativa: Samantha Íris e Alessandra Ferreira. Isso não acontecia desde 2010, quando Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram eleitas para mandatos titulares.
Quero parabenizar as duas por essa conquista.
Samantha Íris e Alessandra ocuparão duas das 24 cadeiras da Assembleia. É um avanço importante, mas também revela o quanto ainda precisamos caminhar. As mulheres são maioria entre os eleitores e continuam sub-representadas nos espaços de decisão.
Essa realidade não muda apenas com o aumento das candidaturas femininas. É preciso que as mulheres tenham condições de disputar, vencer, exercer seus mandatos e permanecer na política. E a presença feminina importa porque amplia as experiências e perspectivas que participam da construção das políticas públicas.
Espero que a chegada de Samantha Íris e Alessandra Ferreira incentive outras mulheres a compreenderem que também podem ocupar esses espaços. Que elas tenham liberdade para exercer seus mandatos, defender suas convicções e construir suas próprias trajetórias.
Quanto a mim, sigo com a cabeça erguida e com a tranquilidade de quem fez uma campanha coerente com a própria história.
Os 10.440 votos que recebi em minha primeira eleição têm um significado enorme. Agradeço à minha família, aos amigos, à equipe, aos apoiadores e a cada pessoa que abriu a porta de casa, ofereceu um café, parou para conversar ou decidiu confiar em mim.
Levo dessa experiência muito mais do que um resultado eleitoral. Levo histórias, aprendizados e a certeza de que ainda tenho muito a contribuir.
A eleição foi uma etapa importante da minha caminhada. Minha vontade de trabalhar por Mato Grosso continua a mesma.
Por Scheila Pedroso
Foto: Maurício Vitorino



